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29 dicembre

Balanço de fim de ano II

 

Ainda sobre o balanço de fim de ano... uma avalanche de sentimentos dúbios toma conta de mim. Mas esses sentimentos não são de todo desconhecidos, muito pelo contrário disso, todo fim de ano me sinto assim: meio nostálgica e ao mesmo tempo eufórica. Talvez a nostalgia se deva ao fato de saber que mais um ano se passou e que não há mais nada a se fazer por ele. Portanto, se você realizou o que queria, ótimo. Se não realizou, não adianta reclamar. A fila andou. Por isso o negócio é recolher o que lhe resta de esperança e ir à luta novamente. Além disso, como já dizia Nietzsche, “se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você”. Sendo assim, é melhor não empacar no meio da estrada para lamentar a vida. Além disso também, mais um ano se aproxima e, mesmo que seja por teimosia, creio que vale a pena apostar que as “coisas serão diferentes” (desculpe o uso do clichê). Mas as coisas não serão diferentes a partir do primeiro dia de 2007, é preciso ser realista quanto a isso. É ridículo achar que todos os seus problemas vão acabar de uma hora para outra. Mas obviamente ser realista não é ser pessimista. Não há porque achar que as coisas não podem ser melhores no ano que vem. Lógico que isso não depende só de você, e sim de um monte de outras coisas. Porém isso não vem ao caso agora, pois o que quero simplesmente dizer é que é preciso acreditar que a felicidade existe para que ela de fato bata à sua porta. Não, não estou sendo ridícula ao afirmar isso. Mesmo porque não estou falando de um estado permanente de felicidade, mas sim do simples ato de descomplicar a vida. Sim, porque tem gente que complica demais a vida. Eu mesma faço isso às vezes... Faz parte do meu processo de evolução pessoal.

  

FELIZ 2007!

 Janethe Fontes

27 dicembre

Fim de ano

Fim de ano. Impossível não se sentir irritado por ter de enfrentar filas para quase tudo o que se vai fazer. Impossível não se sentir cansado mediante a correria quase irracional por presentes e lembrancinhas de Natal. Impossível não pensar – e não se sentir um fracassado(a) – mediante a realidade de que mais um ano se passou e nada do que você planejou de fato aconteceu. Impossível não se sentir deprimido com tudo isso e pela simples e cruel constatação de que tem uma época em sua vida que tudo parece mergulhado num mar de águas mortas. Que tudo parece terrivelmente estagnado, apesar dos minutos correrem tão rápido que quando você se dá conta já é final de dia. Final de semana. Final de ano!

E talvez seja justamente porque é final de ano que a sensação de fracasso aumente. Afinal é época de fazer um balanço de mais um ano que se passou, não é mesmo? Mas o que fazer se as coisas – que você planejou – simplesmente não aconteceram. Culpar o destino? Convencer-se de que criou expectativas demais? Acreditar que não estava no “tempo certo”? Não. Eu não posso me convencer de nada disso. Embora, confesso, essa seria uma alternativa para me sentir menos frustrada. Também provavelmente seria uma das explicações usadas por muitos de meus amigos, parentes ou vizinhos, afinal frase como: tudo tem seu tempo é plenamente utilizada para tudo o que é tipo de plano frustrado. Portanto não adianta reclamar para ninguém. Pois simplesmente ninguém irá compreender sua ansiedade.

Aliás, mesmo que alguém compreendesse, isso não ajuda em nada. Essa é a pura realidade. Mas obviamente conforta ter um ombro amigo para apoiar o rosto de vez em quando e lamentar seus – pequenos ou grandes – fracassos, não é verdade? É por isso que, apesar dos pesares, posso dizer que eu não fracassei de todo esse ano. Afinal, se por um lado, não consegui realizar alguns de meus (maiores) sonhos, por outro, posso dizer que ao menos adquiri amigos que jamais imaginei adquirir – principalmente através do meu blog Palavreando (http://palavreando.zip.net), que foi uma pequena/grande conquista desse ano de 2006. 

Janethe Fontes