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    November 10

    Sobre mim

     
     
    JANETHE FONTES
    Aniversário: 03/12
    Localidade: São Paulo


    Coisas que eu curto:
    Gosto de coisas simples, mas tão gostosas...
    Andar de mãos dadas, abraço apertado, chocolate quente,
    chocolate frio (humm) e dançar, embora esteja meio entravada
    (risos).
    Gosto também de ler poesias, da natureza, da lua, do mar,
    do sol, das estrelas e mais meio mundo de coisas.

    Além de tudo isso, sou alguém que adora escrever, romancear, contar histórias.
    É, sou também uma escritora, caro amigo. Espero não tê-lo decepcionado por isso.

    Coisas que eu odeio: Inveja, arrogância e gente chata.


    Mas, afinal, quem é Janethe Fontes?
    Eu explico:
    "Sou simplesmente alguém que traz a alma povoada de esperanças..."
    E tal qual uma criança,
    às vezes, ponho-me a cismar.
    E, numa névoa dourada,
    vejo uma fada encantada
    e um castelo, além do mar.
    A vida, a Glória, o Sonhar...

    Trago a alma povoada de esperanças...

    Toda vestida de estrelas,
    meus cabelos prateados
    voam nas asas do vento.
    Então acordo assustada
    e vejo desapontada,
    num instante, meu sonho desmoronar...

    Trago a alma povoada de esperanças...

    Volto a galope, singrando
    um rastro de luz deixado
    nos caminhos desta vida...
    Num corcel negro montada
    meus sonhos e minha fada
    são fantasmas do passado...

    ...Trago a alma povoada de esperanças...

    Fico a cismar nesta vida
    pela existência perdida
    que os anos não trazem mais.
    E os sonhos descoloridos,
    fada e castelo sumindo
    num instante de reflexão...

    E, mesmo assim, tal qual uma criança
    Sinto a alma povoada de esperanças...


    [Poema de Neuza Rodrigues Leonel]

    O ato de escrever

    Por Janethe Fontes

     

    As dificuldades para publicar um livro no Brasil são tão grandes que, às vezes, penso que é quase um desatino desejar ser escritor neste país, desejar “viver” da escrita então... seria caso para internação.

    O ato de escrever é penoso, demorado e exige imensa dedicação por parte do escritor, além de uma dose extra de paciência de seus familiares, mas tudo isso valeria muito a pena se o escritor tivesse um pouco mais de atenção por parte das editoras. Veja bem, sei que o trabalho do editor também não é fácil, afinal somos um país de não-leitores, além disso, uma editora é uma empresa, e como tal visa o lucro. Mas nada disso justifica a enorme má-vontade que o escritor encontra para ter suas obras “devidamente” avaliadas.

    Geralmente, a avaliação de originais é realizada por pessoas pouco graduadas que, depois da leitura de apenas algumas páginas alternadas, simplesmente encaminham o texto para a pilha de devolução, ou melhor, para a pilha de obras que “deveriam ser devolvidas”, mas que não são por causa do custo da devolução. Nestes casos, o escritor não fica sabendo que seu original foi recusado, pois não recebe sequer uma cartinha mixuruca. E, quando recebe, os dizeres são sempre os mesmos, “que o livro não está de acordo com a linha editorial da casa, mesmo quando está, ou que o cronograma de lançamentos para os próximos meses já está definido, mesmo quando também não está”, mas ao menos você recebe a informação. Não fica nessa ânsia por uma resposta, uma simples resposta para abreviar o sofrimento.

    Segundo Luis Eduardo da Matta, em seu artigo: Os desafios de publicar o primeiro livro, “muitos editores optam pelo silêncio por receio de que uma resposta por escrito crie um indesejado vínculo com um autor chato, que em vez de se limitar ao papel de consumidor de livros, fica amolando a editora com seus garranchos impublicáveis”.

    Felizmente, o veredicto das editoras em relação à qualidade das obras ou de seu potencial de venda nem sempre significa grande coisa. Afinal, autores como J. K. Rowling, autora do mega-sucesso Harry Potter, deu com o nariz na porta de 9 editoras, que recusaram os originais de seu primeiro livro por considerarem-no longo demais para crianças, e John Grisham, autor de A Firma e O Dossiê Pelicano, que também teve o seu primeiro romance, Tempo de Matar, recusado por quinze agências literárias e vinte e oito editoras nos Estados Unidos, até conseguir ser publicado com uma tiragem modesta pela pequena Wynwood Press.

    Como se vê então, o problema não é exclusivo do Brasil. Mas o problema aqui é que a maioria das editoras não tem “de fato” uma preocupação em extrair, no meio dos originais enviados, talentos promissores, nem muito menos disposição em investir (nesses talentos). A grande maioria das editoras brasileiras preferem mesmo é arcar com o custo da tradução de obras estrangeiras, que, apesar do investimento e da divulgação, nem sempre compensam tais custos, pois, além de uma tiragem modesta, esses autores não podem ter um contato direto com o público daqui, afinal moram em outros países e a tradução de seus livros aqui é apenas mais uma entre tantas outras espalhadas mundo afora.