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    August 03

    Pedido de desculpa

    Por Janethe Fontes

     

     

    Oi, pessoal, desculpem-me pela falta de atualização do blog. Estou numa correria danada e quase não tenho tido tempo de ler e muito menos de escrever.

     

    Juro que estou tentando dar de conta do meu trabalho e das leituras, mas tenho mais livros empilhados junto à cabeceira da minha cama do que nas prateleiras da minha estante (claro que estou exagerando. Mas, se eu continuar nesse ritmo, logo, logo isso realmente irá acontecer), fora as revistas encostadas para ler depois, a pilha virtual de blogs que tenho acessado cada vez menos, apesar da qualidade dos textos e da importância literária de alguns deles para mim... Coisas que são de fato muito importantes para mim e que ficam lá, empilhados, aguardando um momento ocioso. Puts!

     

    A verdade é que acho que não estou mais dando de conta de tanta coisa! Obrigações respigam de todos os lados e, na vã tentativa de dar de conta, acabo com a impressão que "os dias estão passando cada vez mais depressa".

     

    Mas sei que não sou a única a me sentir assim. Na realidade, dizem que esse é o grande "mal" deste século: a impressão de que não há tempo suficiente. E o excesso de informação que nos bombardeia todos os dias é um dos maiores colaboradores para essa sensação.

     

    Mas eu sei também que a verdade pura e simples é que EU é que tenho de aprender, urgentemente, a me organizar (e eu que sempre me achei uma pessoa organizada!!). Afinal, esse sentimento de excesso não é nem um pouco positivo, e ainda pode me colocar na contramão do que realmente quero e necessito, do que todo mundo quer e necessita: da família e dos amigos. Aliás, os amigos "reais" passaram a ser cada vez mais "virtuais", pois é mais fácil encontrar e conversar com um amigo através do computador do que encontrar um tempinho de ir à sua casa pessoalmente. Afe! Que loucura!

     

    Enfim, prometo que em breve estarei regularizando a situação do blog e voltarei a postar três vezes por semana. Enquanto isso, por favor, não me abandonem.

     

     

    Beijos. 

    February 24

    Geração X – Adulto com jeito de adolescente

     
     
    Há algum tempo atrás, esperava-se que com avanço da idade as pessoas mudassem seu comportamento, tornassem-se mais caseiras, mais sisudas. Mas uma nova geração de trintões (estou inclusa nessa), quarentões, cinqüentões e até mesmo sessentões tem mostrado que é possível envelhecer sem perder o vigor e a “juventude”. Essa nova geração, porém, não pode ser confundida com os “adultescentes”, ou seja, com aqueles marmanjões que se recusam a sair da casa dos pais ou com aqueles coroas que tentam parecer meninos, tipo Tio-Sukita. Muito pelo contrário disso. Essa nova geração, que nos Estados Unidos recebeu o apelido de “grup”, uma contração de grown up (adulto), tem responsabilidades normais – trabalho, casamento, filhos. No entanto, tem visual e até mesmo hábitos de adolescentes, isto é, usam tênis e roupas descoladas, são fissurados por aparelhos eletrônicos tipo iPodi, câmera digital, palm e etc, curtem bandas alternativas e até freqüentam casas noturnas.

    “É uma nova forma de ser adulto”. Afinal, segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro aumentou de 66 anos para 71. Portanto, um sujeito de 40 anos hoje tem pelo menos três décadas de vida útil, se tudo correr bem.

    Com o aumento da expectativa de vida, as fases está sendo redefinidas, diz a psicoterapeuta Lídia Rosenberg Aratangy em entrevista à revista Época.

    Mas não é só isso, pois, segundo Janelle Wilson, socióloga americana e autora de um dos mais completos estudos sobre os adolescentes, essa geração, denominada de A Geração X, cresceu com uma nova realidade social. Muitos eram filhos de pais separados, viviam em casa em que homem e mulher trabalhavam fora. Assistiram ao início da decadência dos antigos padrões sociais e não têm medo de jogá-los para o alto. Além disso, diz Janelle, eles sempre tiveram contato com as novas tecnologias. A maioria nasceu depois da chegada do homem à Lua (1969), viu surgir o videocassete e o computador pessoal. E tudo isso se reflete no comportamento dos grups.

    Apesar de toda essa mudança de comportamento, porém, não pense que os grups não exigem que os filhos avisem se vão chegar tarde em casa, tirem boas notas no colégio e diminuam o volume do som no quarto, viu? Afinal, como foi dito no início, os grups são pessoas que têm apenas jeito de adolescentes, mas são ADULTOS! (risos).

       

    Fonte(s): Revista Época

    [Texto originalmente publicado no blog http://palavreando.zip.net]

    February 19

    Para ser escritor

     

    Para ser escritor neste país é necessário muito mais do que amar a escrita, do que ter a cabeça fervilhando de histórias, é necessário ser imune à desmotivação. É, é isto mesmo. O camarada precisa ter uma “capacidade imensa” de ficar livre da desmotivação. Afinal o que não falta são motivos para desistir. Só de pensar que raramente um escritor no Brasil chega a vender o suficiente para “viver” da escrita, e, exatamente por isso, a maioria tem de fazer uma dupla ou até uma tripla jornada de trabalho, já é motivo suficiente para deixar qualquer um desanimado. Mas o que é ainda pior é que, ao fazer dupla jornada de trabalho, não sobra tempo para o escritor, sobretudo “o novo” escritor, freqüentar os eventos literários necessários para divulgação de seu trabalho; fato esse imprescindível para qualquer que seja o profissional. Aliás, não adianta em nada fazer um baita trabalho e deixá-lo na gaveta. Além disso, esses “eventos” não servem apenas para auto-divulgação mas sim, e principalmente, para a interagir com outros escritores que, com certeza, enfrentam problemas semelhantes.

    Outro problema que causa profundo desânimo é a falta de perspectivas de um novo autor conseguir uma editora que invista em seu trabalho, porém mesmo depois de conseguir editar seu livro (seja por conta própria ou porque milagrosamente conseguiu uma editora que publicasse sua obra) o escritor ainda tem de enfrentar a falta de distribuição, a falta de divulgação, a falta de espaço na mídia, problemas para colocar o livro nas livrarias (principalmente se o escritor publicou por conta, pois, neste caso, a maioria das editoras “por demanda” não se compromete com a distribuição em livrarias).

    Sendo assim, você deve estar se perguntando por que então insistir neste ofício tão lânguido e desprezado. Ora, porque escrever para o escritor não é uma preferência, é uma necessidade! Idéias e personagens pipocam em sua cabeça e você tem de dar-lhes vida, libertá-los... Libertar-se.

    Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias [Clarice Lispector].

    February 12

    Assédio moral

     

    Apesar dos avanços das diversas áreas do saber e da globalização – que, dizem, veio para unir continentes e economias – infelizmente, o relacionamento humano não evoluiu, sobretudo no ambiente de trabalho. E as pressões cada vez mais intensas por produtividade - devido à acirrada concorrência – aliada ao instinto competitivo inerente ao homem que o compele a vencer, ou vencer, têm dificultado cada vez mais a germinação do espírito de cooperação no ambiente de trabalho.

    Também o individualismo exacerbado que vive o homem moderno tem reduzido cada vez mais as relações afetivas e sociais tanto na esfera pessoal quanto profissional. Sendo que tal aspecto, no ambiente de trabalho, gera, muitas vezes, uma série de atritos, não só entre chefias e subordinados, como também entre os próprios subordinados. 

    Mas o problema se torna ainda mais grave quando, numa empresa, diretores, gerentes e líderes primam por atitudes “tirânicas”, pela opressão “imperialista”, e qualquer contraposição acaba sendo abafada por gritos ou mesmo pelo medo da demissão.

    Essa “tirania” nas relações de trabalho é definida nos Estados Unidos e em alguns países da Europa como "assédio moral". Mas apesar dos dispositivos legais existentes para redução e punição do assédio moral, esse é um problema de difícil diagnóstico, pelo fato de ocorrer com ações muitas vezes dissimuladas. No Brasil, isso é ainda pior, pelo fato de não haver instrumentos claros que coíbam tais ações.

    O assédio moral não precisa ser explícito, e em expressivo número de casos não o é. O assediador demonstra, geralmente, preferência pela manifestação não verbal de sua conduta, justamente para dificultar o desmonte de sua estratégia, bem como, o revide pela vítima. Assim, o assédio moral pode ocorrer através de suspiros, sorrisos, trocadilhos, jogo de palavras de cunho sexista, indiferença, olhares de desprezo, silêncio forçado, etc.

    O assédio moral também pode se dar através de fofoca, zombarias, insultos, deboche, isolamento, ironias e sarcasmo, que são mais fáceis de serem negados em caso de reação, pois, o assediador não costuma honrar seus atos, sendo comum se defender, quando acusado, alegando que foi somente uma brincadeira ou que houve mal-entendido, ou às vezes, coloca-se na condição de vítima, afirmando que a pessoa está vendo ou ouvindo coisas, que está com paranóia, que é louca, que é muito sensível, que faz confusão, que é muito encrenqueira ou histérica, entre outros motivos alegados (MENEZES, 2003).

    Exemplos de condutas que configuram assédio moral:

    A doutrina, como se observa de Menezes (2003), indica um rol numeroso de situações em que pode haver assédio moral, pela sua repetição ou sistematização, de forma mais concreta que as formas sutis: 1) rigor excessivo; 2) confiar tarefas inúteis ou degradantes; 3) desqualificação ou críticas em público; 4) isolamento ou inatividade forçada; 5) ameaças explícitas ou veladas; 6) exploração de fragilidades psíquicas e físicas; 7) limitação ou proibição de qualquer inovação ou iniciativa do trabalhador; 8) impor obrigação de realizar autocríticas em reuniões públicas; 9) exposição ao ridículo (Por exemplo: impor o uso de fantasias, sem que isso guarde relação com sua função, e inclusão no rol de empregados com menor produtividade); 10) divulgação de doenças e problemas pessoais de forma direta ou pública; 11) agressões verbais ou através de gestos; 12) atribuição de tarefas estranhas à atividade profissional do empregado, para humilhar e expor a situações vexatórias, como lavar banheiros, fazer limpeza, levar sapatos para engraxar ou rebaixar de função (de médico para atendente de portaria, por exemplo); 13) trabalho superior às forças do empregado; 14) sugestão para pedido de demissão; 15) ausência de serviço ou atribuição de metas dificílimas ou impossíveis de serem cumpridas; 16) controle de tempo no banheiro; 17) divulgação pública de detalhes íntimos; 18) instruções confusas; 19) referência a erros imaginários; 20) solicitação de trabalhos urgentes para depois jogá-los no lixo ou na gaveta; 21) imposição de horários injustificados; 22) transferência de sala por mero capricho; 23) retirada de mesa de trabalho e pessoal de apoio; 24) boicote de material necessário à prestação dos serviços, além de instrumentos como telefone, fax e computador; e 25) supressão de funções ou tarefas.  

     

    Informe-se mais em: Assédio moral no trabalho - por Mario Vasni Paroski – juiz titular da Vara do Trabalho de Porecatu/PR.

    December 29

    Balanço de fim de ano II

     

    Ainda sobre o balanço de fim de ano... uma avalanche de sentimentos dúbios toma conta de mim. Mas esses sentimentos não são de todo desconhecidos, muito pelo contrário disso, todo fim de ano me sinto assim: meio nostálgica e ao mesmo tempo eufórica. Talvez a nostalgia se deva ao fato de saber que mais um ano se passou e que não há mais nada a se fazer por ele. Portanto, se você realizou o que queria, ótimo. Se não realizou, não adianta reclamar. A fila andou. Por isso o negócio é recolher o que lhe resta de esperança e ir à luta novamente. Além disso, como já dizia Nietzsche, “se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você”. Sendo assim, é melhor não empacar no meio da estrada para lamentar a vida. Além disso também, mais um ano se aproxima e, mesmo que seja por teimosia, creio que vale a pena apostar que as “coisas serão diferentes” (desculpe o uso do clichê). Mas as coisas não serão diferentes a partir do primeiro dia de 2007, é preciso ser realista quanto a isso. É ridículo achar que todos os seus problemas vão acabar de uma hora para outra. Mas obviamente ser realista não é ser pessimista. Não há porque achar que as coisas não podem ser melhores no ano que vem. Lógico que isso não depende só de você, e sim de um monte de outras coisas. Porém isso não vem ao caso agora, pois o que quero simplesmente dizer é que é preciso acreditar que a felicidade existe para que ela de fato bata à sua porta. Não, não estou sendo ridícula ao afirmar isso. Mesmo porque não estou falando de um estado permanente de felicidade, mas sim do simples ato de descomplicar a vida. Sim, porque tem gente que complica demais a vida. Eu mesma faço isso às vezes... Faz parte do meu processo de evolução pessoal.

      

    FELIZ 2007!

     Janethe Fontes

    December 27

    Fim de ano

    Fim de ano. Impossível não se sentir irritado por ter de enfrentar filas para quase tudo o que se vai fazer. Impossível não se sentir cansado mediante a correria quase irracional por presentes e lembrancinhas de Natal. Impossível não pensar – e não se sentir um fracassado(a) – mediante a realidade de que mais um ano se passou e nada do que você planejou de fato aconteceu. Impossível não se sentir deprimido com tudo isso e pela simples e cruel constatação de que tem uma época em sua vida que tudo parece mergulhado num mar de águas mortas. Que tudo parece terrivelmente estagnado, apesar dos minutos correrem tão rápido que quando você se dá conta já é final de dia. Final de semana. Final de ano!

    E talvez seja justamente porque é final de ano que a sensação de fracasso aumente. Afinal é época de fazer um balanço de mais um ano que se passou, não é mesmo? Mas o que fazer se as coisas – que você planejou – simplesmente não aconteceram. Culpar o destino? Convencer-se de que criou expectativas demais? Acreditar que não estava no “tempo certo”? Não. Eu não posso me convencer de nada disso. Embora, confesso, essa seria uma alternativa para me sentir menos frustrada. Também provavelmente seria uma das explicações usadas por muitos de meus amigos, parentes ou vizinhos, afinal frase como: tudo tem seu tempo é plenamente utilizada para tudo o que é tipo de plano frustrado. Portanto não adianta reclamar para ninguém. Pois simplesmente ninguém irá compreender sua ansiedade.

    Aliás, mesmo que alguém compreendesse, isso não ajuda em nada. Essa é a pura realidade. Mas obviamente conforta ter um ombro amigo para apoiar o rosto de vez em quando e lamentar seus – pequenos ou grandes – fracassos, não é verdade? É por isso que, apesar dos pesares, posso dizer que eu não fracassei de todo esse ano. Afinal, se por um lado, não consegui realizar alguns de meus (maiores) sonhos, por outro, posso dizer que ao menos adquiri amigos que jamais imaginei adquirir – principalmente através do meu blog Palavreando (http://palavreando.zip.net), que foi uma pequena/grande conquista desse ano de 2006. 

    Janethe Fontes