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    September 21

    Quando Nietzsche chorou

     

    Apesar das críticas, o livro de Irvin D. Yalom, Quando Nietzsche chorou, está há meses no ranking dos mais vendidos. E eu, como ex-aluna de psicologia, não poderia deixar de ler. Afinal não é todo dia que você encontra numa trama o filósofo Friedrich Nietzsche e o Dr. Josef Breuer (mestre do grande psicanalista Sigmund Freud). É óbvio que esse encontro (entre Nietzsche e Breuer) nunca aconteceu, mas essa mistura entre ficção e realidade (no que tange aos personagens) tornou o livro uma boa fonte de “entretenimento”. Veja bem, o livro não é nenhuma fonte de filosofia e nem tão pouco de psicanálise, mas retrata, de forma interessante, o que poderíamos denominar de “nascimento” da “terapia através da conversa”.

     

    Eu selecionei algumas passagens interessantes do livro que me fizeram refletir bastante:

     

    Temos que nos voltar para o significado. O sintoma não passa de um mensageiro com a notícia de que a Angst (angústia) está irrompendo das profundezas do ser! Preocupações profundas com a finitude, com a morte de Deus, com o isolamento, com o propósito da vida, com a liberdade – preocupações profundas trancafiadas por toda uma vida – agora rompem suas cadeias e batem às portas e janelas da mente. Elas demandam ser ouvidas. Não apenas ouvidas, mas vividas!

     

    – Uma de minhas pacientes é uma parteira – prosseguiu Breuer. – Ela está velha, encarquilhada, sozinha. Sofre de problemas cardíacos. Mesmo assim, é apaixonada pela vida. Certa vez, indaguei dela a fonte de sua paixão. Respondeu então que era o momento entre erguer um recém-nascido silente e lhe dar o tapa da vida. Ela se renovava – assim dizia – pela imersão daquele momento de mistério, aquele momento entre a existência e o olvido.

    ...

    – Sou como aquela parteira! Quero estar próximo do mistério... Não consigo viver em preto e branco. (o grifo é meu).

     

    – Chegar aos quarenta abalou a idéia de que tudo me era possível. Subitamente, entendi o fato mais óbvio da vida: que o tempo é irreversível, que minha vida estava se consumindo. É claro que eu já sabida disso antes, mas sabê-lo aos quarenta foi uma espécie diferente de saber. Agora sei que “o rapaz infinitamente promissor” foi meramente uma ordem de marchar, que “promissor” é uma ilusão, que “infinitamente” não tem sentido e que estou em fileira cerrada com todos os outros homens marchando em direção à morte. (novamente os grifos são meus).

     

     

     

    “Tudo que não me mata, me fortalece”, Friedrich Nietzsche. 

    August 17

    Sexo frágil?

     

    A rotina de uma mulher pode ser realmente estressante, conforme demonstra uma pesquisa realizada pela empresa Tríade do Tempo, especializada em software: Acorda, cuida dos lanches das crianças, do café da manhã da casa, leva os filhos para a escola, deixa algo pronto para o almoço, sai às pressas para o trabalho, pega trânsito, trabalha o dia todo; na volta para casa, pega as crianças na escola, faz o jantar, cuida da casa, verifica o dever de casa dos filhos e quando se certifica de que está tudo em ordem, finalmente pode ir tomar um banho e ir para a cama.

     

    Essa pesquisa, com mulheres em atividade profissional, na faixa etária de 35 anos, revela ainda que elas dedicam:

    ·     48% do tempo às urgências; (atividades que chegam em cima da hora, que não podem ser previstas, mas que geralmente causam estresse).

    ·     28% do tempo às coisas importantes; (atividades que são realizadas e dão resultados a curto, médio ou longo prazo).       

    ·     24% do tempo às circunstâncias; (são os gastos de tempo de forma inútil, tarefas feitas por comodidade, ou "socialmente" apropriadas).

     

    Além de todas as cobranças diárias, a mulher ainda tem de encontrar um tempinho para cuidar da estética e fazer uma academia. É mole?

     

     

    Fonte: Jornal da Mulher 

    August 10

    Agitação

     

    Freqüentemente acordo numa agitação imensa. E essa sensação independe "das coisas" estarem de fato muito corridas. Tenho sempre a impressão que "não vai dar tempo" de fazer tudo o que quero, que o tempo está passando rápido demais, etc e tal.

     

    Mas por que estou tornando a falar disso?, alguns devem estar se perguntando. Eu explico: É que hoje, enquanto me dirigia ao trabalho, pensando em tudo o que tinha para fazer, tocou no rádio do meu carro uma música cuja letra me "toca" bastante, pois traduz exatamente essa minha ânsia por viver "o agora", de fazer tudo agora (agora ou nunca).

     

    Veja a letra traduzida:

     

    "It's my life – É a minha Vida" – Bom Jovi

     

    Esta não é uma canção para os de corações partidos,

    Nenhuma oração silenciosa para os abandonados pela féEu não vou ser apenas um rosto na multidão,

    Você vai ouvir minha voz

    Quando eu gritar isso bem alto...

     

    É a minha vida,

    É agora ou nunca.

    Eu não vou viver para sempre,

    Eu apenas quero viver enquanto estou vivo.

    (É a minha vida)

    Meu coração é como uma estrada desimpedida.

    Como Frankie disse, eu fiz do meu jeito...

    Eu apenas quero viver enquanto estou vivo,

    É a minha vida...

     

    Esta é para aqueles que sustentaram sua posição,

    Para Tommy e Gina que nunca voltaram atrás.

    O amanhã está ficando mais difícil, não cometa erros,

    O acaso nem mesmo é afortunado,

    Você tem de criar suas próprias oportunidades...

     

    É a minha vida,

    é agora ou nunca.

    Eu não vou viver para sempre,

    Eu apenas quero viver enquanto estou vivo.

    (É a minha vida)

    ...

     

    Melhor ficar em pé [com orgulho] quando estiverem

    te chamando.

    Não se curve, não ceda, baby, não volte atrás...

     

    É a minha vida,

    E é agora ou nunca.

    Porque eu não vou viver para sempre,

    Eu apenas quero viver enquanto estou vivo.

    (É a minha vida)...

    August 03

    Pedido de desculpa

    Por Janethe Fontes

     

     

    Oi, pessoal, desculpem-me pela falta de atualização do blog. Estou numa correria danada e quase não tenho tido tempo de ler e muito menos de escrever.

     

    Juro que estou tentando dar de conta do meu trabalho e das leituras, mas tenho mais livros empilhados junto à cabeceira da minha cama do que nas prateleiras da minha estante (claro que estou exagerando. Mas, se eu continuar nesse ritmo, logo, logo isso realmente irá acontecer), fora as revistas encostadas para ler depois, a pilha virtual de blogs que tenho acessado cada vez menos, apesar da qualidade dos textos e da importância literária de alguns deles para mim... Coisas que são de fato muito importantes para mim e que ficam lá, empilhados, aguardando um momento ocioso. Puts!

     

    A verdade é que acho que não estou mais dando de conta de tanta coisa! Obrigações respigam de todos os lados e, na vã tentativa de dar de conta, acabo com a impressão que "os dias estão passando cada vez mais depressa".

     

    Mas sei que não sou a única a me sentir assim. Na realidade, dizem que esse é o grande "mal" deste século: a impressão de que não há tempo suficiente. E o excesso de informação que nos bombardeia todos os dias é um dos maiores colaboradores para essa sensação.

     

    Mas eu sei também que a verdade pura e simples é que EU é que tenho de aprender, urgentemente, a me organizar (e eu que sempre me achei uma pessoa organizada!!). Afinal, esse sentimento de excesso não é nem um pouco positivo, e ainda pode me colocar na contramão do que realmente quero e necessito, do que todo mundo quer e necessita: da família e dos amigos. Aliás, os amigos "reais" passaram a ser cada vez mais "virtuais", pois é mais fácil encontrar e conversar com um amigo através do computador do que encontrar um tempinho de ir à sua casa pessoalmente. Afe! Que loucura!

     

    Enfim, prometo que em breve estarei regularizando a situação do blog e voltarei a postar três vezes por semana. Enquanto isso, por favor, não me abandonem.

     

     

    Beijos. 

    April 21

    Ansiedade, crise dos trinta ou crise da modernidade?

     

    Procuro algo que explique esse estado de aflição em que vivo há pelo menos três anos, essa ânsia de viver, essa necessidade quase desesperada de fazer as coisas acontecerem, misturada à angustia de que o tempo está passando e não consegui realizar nada, nada, nada!, do que havia idealizado. Por isso fiz algumas pesquisas e recorri até o mesmo ao dicionário Houaiss para me ajudar nesta peleja.

    Ansiedade = 1°) grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia; 2°) desejo veemente e impaciente; 3°) falta de tranqüilidade; receio; 4°) estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso.

    Crise dos trinta. Não encontrei qualquer definição para crise dos trinta, mas acredito que seja o medo, mesmo que inconsciente, da proximidade da esterilidade, de não poder mais gerar filhos, da menopausa (andropausa para os homens), que para algumas pessoas chega bem mais cedo do que deveria, medo de perder a sensualidade, de deixar de ser atraente. Talvez seja por isso que de um tempo para cá, minha aparência, mais do que nunca, passou a ser algo tão importante, e eu entrei na loucura das dietas, dos exercícios diários e dos cremes e loções, para retardar o envelhecimento, pois o tempo, como costuma dizer uma amiga minha que também passa pela mesma fase, é implacável.

    Crise da modernidade. Também não encontrei qualquer definição a respeito, até mesmo porque a crise da modernidade envolve muitas coisas, mas, no meu caso, e no caso de muitas mulheres (a mulher foi a que mais sofreu as mudanças ocasionadas no último século, por isso falarei apenas delas nesse parágrafo), creio que essa crise envolva valores de auto-afirmação em múltiplas coisas, portanto temos de ser bem-sucedidas profissionalmente, independentes, cultas, além de bonitas (mesmo depois de um dia de trabalho árduo), mães delicadas e bem humoradas (mesmo depois de suportar o chefe chato e pegar um ônibus lotado com um homem roçando sua bunda (desculpem a expressão, mas foi inevitável)), e, ainda por cima, precisamos ser amantes ardentes e bem dispostas à noite, afinal o namorado, marido, amante, está à sua espera na cama.

    E a que conclusão cheguei depois de tudo isso? Que talvez o que eu sinta seja um misto de tudo o que citei acima. E que vou ter de aprender a lidar com essas alegrias e tristezas, limites e frustrações que o tempo me trouxe. Afinal tudo isso faz parte da vida. Além disso, creio que não possa fugir a essa turbulência interna que me faz repensar o tempo todo a vida, mas posso tentar aceitar minhas limitações, sem deixar, é claro, de lutar pelas coisas que ainda acredito. Além do mais, dizem também que tem crise dos quarenta, dos cinqüenta (ai, meu Deus!), então o jeito é não entrar numa neurose agora, ainda tenho muita crise a enfrentar!

     

    Nota: Embora tenha comentado acima que a mulher foi a que mais sofreu as mudanças ocasionadas no último século, quero deixar claro que não estou, de maneira alguma, defendendo retrocesso a posições anteriores. Afinal, admito que o que tínhamos antes não era nem um pouquinho melhor do que o que temos hoje. Portanto, nós, mulheres, temos mais é de usufruir de tudo o que foi conquistado. Precisamos apenas conseguir um equilíbrio.

     

    Por Janethe Fontes

    **Respeite os direitos autorais**

    February 24

    Geração X – Adulto com jeito de adolescente

     
     
    Há algum tempo atrás, esperava-se que com avanço da idade as pessoas mudassem seu comportamento, tornassem-se mais caseiras, mais sisudas. Mas uma nova geração de trintões (estou inclusa nessa), quarentões, cinqüentões e até mesmo sessentões tem mostrado que é possível envelhecer sem perder o vigor e a “juventude”. Essa nova geração, porém, não pode ser confundida com os “adultescentes”, ou seja, com aqueles marmanjões que se recusam a sair da casa dos pais ou com aqueles coroas que tentam parecer meninos, tipo Tio-Sukita. Muito pelo contrário disso. Essa nova geração, que nos Estados Unidos recebeu o apelido de “grup”, uma contração de grown up (adulto), tem responsabilidades normais – trabalho, casamento, filhos. No entanto, tem visual e até mesmo hábitos de adolescentes, isto é, usam tênis e roupas descoladas, são fissurados por aparelhos eletrônicos tipo iPodi, câmera digital, palm e etc, curtem bandas alternativas e até freqüentam casas noturnas.

    “É uma nova forma de ser adulto”. Afinal, segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro aumentou de 66 anos para 71. Portanto, um sujeito de 40 anos hoje tem pelo menos três décadas de vida útil, se tudo correr bem.

    Com o aumento da expectativa de vida, as fases está sendo redefinidas, diz a psicoterapeuta Lídia Rosenberg Aratangy em entrevista à revista Época.

    Mas não é só isso, pois, segundo Janelle Wilson, socióloga americana e autora de um dos mais completos estudos sobre os adolescentes, essa geração, denominada de A Geração X, cresceu com uma nova realidade social. Muitos eram filhos de pais separados, viviam em casa em que homem e mulher trabalhavam fora. Assistiram ao início da decadência dos antigos padrões sociais e não têm medo de jogá-los para o alto. Além disso, diz Janelle, eles sempre tiveram contato com as novas tecnologias. A maioria nasceu depois da chegada do homem à Lua (1969), viu surgir o videocassete e o computador pessoal. E tudo isso se reflete no comportamento dos grups.

    Apesar de toda essa mudança de comportamento, porém, não pense que os grups não exigem que os filhos avisem se vão chegar tarde em casa, tirem boas notas no colégio e diminuam o volume do som no quarto, viu? Afinal, como foi dito no início, os grups são pessoas que têm apenas jeito de adolescentes, mas são ADULTOS! (risos).

       

    Fonte(s): Revista Época

    [Texto originalmente publicado no blog http://palavreando.zip.net]

    February 19

    Para ser escritor

     

    Para ser escritor neste país é necessário muito mais do que amar a escrita, do que ter a cabeça fervilhando de histórias, é necessário ser imune à desmotivação. É, é isto mesmo. O camarada precisa ter uma “capacidade imensa” de ficar livre da desmotivação. Afinal o que não falta são motivos para desistir. Só de pensar que raramente um escritor no Brasil chega a vender o suficiente para “viver” da escrita, e, exatamente por isso, a maioria tem de fazer uma dupla ou até uma tripla jornada de trabalho, já é motivo suficiente para deixar qualquer um desanimado. Mas o que é ainda pior é que, ao fazer dupla jornada de trabalho, não sobra tempo para o escritor, sobretudo “o novo” escritor, freqüentar os eventos literários necessários para divulgação de seu trabalho; fato esse imprescindível para qualquer que seja o profissional. Aliás, não adianta em nada fazer um baita trabalho e deixá-lo na gaveta. Além disso, esses “eventos” não servem apenas para auto-divulgação mas sim, e principalmente, para a interagir com outros escritores que, com certeza, enfrentam problemas semelhantes.

    Outro problema que causa profundo desânimo é a falta de perspectivas de um novo autor conseguir uma editora que invista em seu trabalho, porém mesmo depois de conseguir editar seu livro (seja por conta própria ou porque milagrosamente conseguiu uma editora que publicasse sua obra) o escritor ainda tem de enfrentar a falta de distribuição, a falta de divulgação, a falta de espaço na mídia, problemas para colocar o livro nas livrarias (principalmente se o escritor publicou por conta, pois, neste caso, a maioria das editoras “por demanda” não se compromete com a distribuição em livrarias).

    Sendo assim, você deve estar se perguntando por que então insistir neste ofício tão lânguido e desprezado. Ora, porque escrever para o escritor não é uma preferência, é uma necessidade! Idéias e personagens pipocam em sua cabeça e você tem de dar-lhes vida, libertá-los... Libertar-se.

    Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias [Clarice Lispector].

    February 12

    Assédio moral

     

    Apesar dos avanços das diversas áreas do saber e da globalização – que, dizem, veio para unir continentes e economias – infelizmente, o relacionamento humano não evoluiu, sobretudo no ambiente de trabalho. E as pressões cada vez mais intensas por produtividade - devido à acirrada concorrência – aliada ao instinto competitivo inerente ao homem que o compele a vencer, ou vencer, têm dificultado cada vez mais a germinação do espírito de cooperação no ambiente de trabalho.

    Também o individualismo exacerbado que vive o homem moderno tem reduzido cada vez mais as relações afetivas e sociais tanto na esfera pessoal quanto profissional. Sendo que tal aspecto, no ambiente de trabalho, gera, muitas vezes, uma série de atritos, não só entre chefias e subordinados, como também entre os próprios subordinados. 

    Mas o problema se torna ainda mais grave quando, numa empresa, diretores, gerentes e líderes primam por atitudes “tirânicas”, pela opressão “imperialista”, e qualquer contraposição acaba sendo abafada por gritos ou mesmo pelo medo da demissão.

    Essa “tirania” nas relações de trabalho é definida nos Estados Unidos e em alguns países da Europa como "assédio moral". Mas apesar dos dispositivos legais existentes para redução e punição do assédio moral, esse é um problema de difícil diagnóstico, pelo fato de ocorrer com ações muitas vezes dissimuladas. No Brasil, isso é ainda pior, pelo fato de não haver instrumentos claros que coíbam tais ações.

    O assédio moral não precisa ser explícito, e em expressivo número de casos não o é. O assediador demonstra, geralmente, preferência pela manifestação não verbal de sua conduta, justamente para dificultar o desmonte de sua estratégia, bem como, o revide pela vítima. Assim, o assédio moral pode ocorrer através de suspiros, sorrisos, trocadilhos, jogo de palavras de cunho sexista, indiferença, olhares de desprezo, silêncio forçado, etc.

    O assédio moral também pode se dar através de fofoca, zombarias, insultos, deboche, isolamento, ironias e sarcasmo, que são mais fáceis de serem negados em caso de reação, pois, o assediador não costuma honrar seus atos, sendo comum se defender, quando acusado, alegando que foi somente uma brincadeira ou que houve mal-entendido, ou às vezes, coloca-se na condição de vítima, afirmando que a pessoa está vendo ou ouvindo coisas, que está com paranóia, que é louca, que é muito sensível, que faz confusão, que é muito encrenqueira ou histérica, entre outros motivos alegados (MENEZES, 2003).

    Exemplos de condutas que configuram assédio moral:

    A doutrina, como se observa de Menezes (2003), indica um rol numeroso de situações em que pode haver assédio moral, pela sua repetição ou sistematização, de forma mais concreta que as formas sutis: 1) rigor excessivo; 2) confiar tarefas inúteis ou degradantes; 3) desqualificação ou críticas em público; 4) isolamento ou inatividade forçada; 5) ameaças explícitas ou veladas; 6) exploração de fragilidades psíquicas e físicas; 7) limitação ou proibição de qualquer inovação ou iniciativa do trabalhador; 8) impor obrigação de realizar autocríticas em reuniões públicas; 9) exposição ao ridículo (Por exemplo: impor o uso de fantasias, sem que isso guarde relação com sua função, e inclusão no rol de empregados com menor produtividade); 10) divulgação de doenças e problemas pessoais de forma direta ou pública; 11) agressões verbais ou através de gestos; 12) atribuição de tarefas estranhas à atividade profissional do empregado, para humilhar e expor a situações vexatórias, como lavar banheiros, fazer limpeza, levar sapatos para engraxar ou rebaixar de função (de médico para atendente de portaria, por exemplo); 13) trabalho superior às forças do empregado; 14) sugestão para pedido de demissão; 15) ausência de serviço ou atribuição de metas dificílimas ou impossíveis de serem cumpridas; 16) controle de tempo no banheiro; 17) divulgação pública de detalhes íntimos; 18) instruções confusas; 19) referência a erros imaginários; 20) solicitação de trabalhos urgentes para depois jogá-los no lixo ou na gaveta; 21) imposição de horários injustificados; 22) transferência de sala por mero capricho; 23) retirada de mesa de trabalho e pessoal de apoio; 24) boicote de material necessário à prestação dos serviços, além de instrumentos como telefone, fax e computador; e 25) supressão de funções ou tarefas.  

     

    Informe-se mais em: Assédio moral no trabalho - por Mario Vasni Paroski – juiz titular da Vara do Trabalho de Porecatu/PR.

    December 29

    Balanço de fim de ano II

     

    Ainda sobre o balanço de fim de ano... uma avalanche de sentimentos dúbios toma conta de mim. Mas esses sentimentos não são de todo desconhecidos, muito pelo contrário disso, todo fim de ano me sinto assim: meio nostálgica e ao mesmo tempo eufórica. Talvez a nostalgia se deva ao fato de saber que mais um ano se passou e que não há mais nada a se fazer por ele. Portanto, se você realizou o que queria, ótimo. Se não realizou, não adianta reclamar. A fila andou. Por isso o negócio é recolher o que lhe resta de esperança e ir à luta novamente. Além disso, como já dizia Nietzsche, “se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você”. Sendo assim, é melhor não empacar no meio da estrada para lamentar a vida. Além disso também, mais um ano se aproxima e, mesmo que seja por teimosia, creio que vale a pena apostar que as “coisas serão diferentes” (desculpe o uso do clichê). Mas as coisas não serão diferentes a partir do primeiro dia de 2007, é preciso ser realista quanto a isso. É ridículo achar que todos os seus problemas vão acabar de uma hora para outra. Mas obviamente ser realista não é ser pessimista. Não há porque achar que as coisas não podem ser melhores no ano que vem. Lógico que isso não depende só de você, e sim de um monte de outras coisas. Porém isso não vem ao caso agora, pois o que quero simplesmente dizer é que é preciso acreditar que a felicidade existe para que ela de fato bata à sua porta. Não, não estou sendo ridícula ao afirmar isso. Mesmo porque não estou falando de um estado permanente de felicidade, mas sim do simples ato de descomplicar a vida. Sim, porque tem gente que complica demais a vida. Eu mesma faço isso às vezes... Faz parte do meu processo de evolução pessoal.

      

    FELIZ 2007!

     Janethe Fontes

    December 27

    Fim de ano

    Fim de ano. Impossível não se sentir irritado por ter de enfrentar filas para quase tudo o que se vai fazer. Impossível não se sentir cansado mediante a correria quase irracional por presentes e lembrancinhas de Natal. Impossível não pensar – e não se sentir um fracassado(a) – mediante a realidade de que mais um ano se passou e nada do que você planejou de fato aconteceu. Impossível não se sentir deprimido com tudo isso e pela simples e cruel constatação de que tem uma época em sua vida que tudo parece mergulhado num mar de águas mortas. Que tudo parece terrivelmente estagnado, apesar dos minutos correrem tão rápido que quando você se dá conta já é final de dia. Final de semana. Final de ano!

    E talvez seja justamente porque é final de ano que a sensação de fracasso aumente. Afinal é época de fazer um balanço de mais um ano que se passou, não é mesmo? Mas o que fazer se as coisas – que você planejou – simplesmente não aconteceram. Culpar o destino? Convencer-se de que criou expectativas demais? Acreditar que não estava no “tempo certo”? Não. Eu não posso me convencer de nada disso. Embora, confesso, essa seria uma alternativa para me sentir menos frustrada. Também provavelmente seria uma das explicações usadas por muitos de meus amigos, parentes ou vizinhos, afinal frase como: tudo tem seu tempo é plenamente utilizada para tudo o que é tipo de plano frustrado. Portanto não adianta reclamar para ninguém. Pois simplesmente ninguém irá compreender sua ansiedade.

    Aliás, mesmo que alguém compreendesse, isso não ajuda em nada. Essa é a pura realidade. Mas obviamente conforta ter um ombro amigo para apoiar o rosto de vez em quando e lamentar seus – pequenos ou grandes – fracassos, não é verdade? É por isso que, apesar dos pesares, posso dizer que eu não fracassei de todo esse ano. Afinal, se por um lado, não consegui realizar alguns de meus (maiores) sonhos, por outro, posso dizer que ao menos adquiri amigos que jamais imaginei adquirir – principalmente através do meu blog Palavreando (http://palavreando.zip.net), que foi uma pequena/grande conquista desse ano de 2006. 

    Janethe Fontes

    November 27

    De olho na Violência contra a Mulher! Quem ama não mata, não humilha, não maltrata.

    UBM - União Brasileira de Mulheres

     

    Humilhada, maltratada, ridicularizada, espancada, estuprada, assassinada.

    Violência contra as mulheres: nem um minuto a mais! Assuma essa luta!

    Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

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    Em defesa da vida das mulheres...

                                                       trabalhadoras urbanas e rurais, meninas, trabalhadoras domésticas, Jovens, Lésbicas, mulheres negras, mulheres encarceradas, índias, idosas, portadoras do Vírus HIV, profissionais do sexo, mulheres migrantes,donas de casa,portadoras de deficiência, enfim....

                                todas as mulheres do Mundo tem direito a uma vida sem violência!

     A violência contra as mulheres é uma questão social e de saúde pública. Fere os direitos humanos, destrói sonhos e afeta a dignidade. É a expressão mais clara da desigualdade social, racial e de poder entre homens e mulheres deixando visível a opressão social e as marcas físicas e psicológicas naquelas que representam a metade da população brasileira.

    A violência ocorre nos espaços públicos e privados...é também psicológica e moral: agressões verbais reduzem a auto-estima e fazem as mulheres se sentirem desprezíveis. É também uma questão de saúde pública já reconhecida pelo Estado Brasileiro, pois além de afetar a auto-estima das mulheres,  causa estresse e enfermidades crônicas. Quem vive uma situação de violência não tem margem de negociação e está mais susceptível de contrair o vírus HIV. A violência interfere na qualidade de vida, no exercício da cidadania das mulheres e no desenvolvimento da sociedade em sua diversidade.

    Garantir os Direitos Humanos das Mulheres : dever do Estado

    A violência deve ser denunciada e o Estado deve garantir a ampliação dos serviços de atendimento às vítimas e ações para evitá-la, educando a sociedade com novos valores. A Constituição Brasileira de 1988 obriga o Estado a tomar todas as medidas necessárias para prevenir e punir a violência ocorrida no âmbito da família. Trata-se do cumprimento pelo Estado de compromissos já assumidos internacionalmente:

    • Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, “CEDAW (ONU,1979)” foi ratificada pelo governo brasileiro, com reservas em 1984. As reservas foram retiradas em 1994.

    • Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher , “Convenção de Belém do Pará”, foi assinada pelo Brasil em 9 de junho de 1994 e ratificada em 27 de novembro de 1995.

    • Lei 10.224/2001 criou o crime de assédio sexual que ocorre quando o assediador constrange a outra pessoa com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual utilizando a posição de superior hierárquico.

    Vitória das mulheres no combate à violência

    Em geral, a violência contra a mulher ocorre, principalmente, na própria casa, entre as pessoas que tem ou tiveram vínculos afetivos. A violência doméstica é a campeã entre todas e expressa a desigualdade de poder nas relações sociais entre homens e mulheres. Neste ano de 2006, se consolida uma das mais importantes vitórias das mulheres nos últimos anos quando o presidente Luis Inácio Lula da Silva sancionou a lei que combate a violência doméstica e familiar contra a mulher, tornando mais rigorosa as punições contra os seus agressores. “Essa é uma vitória democrática de todas as mulheres do nosso país. A omissão acaba aqui e agora. O que é crime contra os direitos humanos será tratado como tal”, destacou o Presidente no momento da sanção. E, desde o dia 22 de setembro a Lei está sendo aplicada.

    Foi uma resposta à reivindicação das mulheres por iniciativa da secretaria Especial de Políticas para as Mulheres/SPM e a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) foi a relatora do projeto, que segundo ela  “ representa uma vitória das mulheres brasileiras ao criar procedimentos que contribuirão para reduzir os casos de violência doméstica". Para a deputada, a grande conquista foi a possibilidade de criação de Juizados Especiais de Violência Doméstica Contra a Mulher. “Em toda a minha trajetória pública combati e violência doméstica, lutei pelos direitos da mulher e aponto como de maior importância essa lei que classifica como crime as violências praticadas contra as mulheres e aumenta as punições para os agressores. A partir de agora, a violência doméstica também passa a ser tratada como violência contra os direitos humanos. Agora os agressores podem pegar penas que variam de três meses a três anos de prisão, sem direito a pagamento de multa ou cestas básicas”.

    Para a professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) e componente do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre as Mulheres (Nepem/UnB) Lourdes Bandeira, a aprovação dessa lei não significa apenas um novo marco jurídico para o enfrentamento da violência, “mas deverá impactar mentalidades, mudar comportamentos jurídicos e produzir novas práticas sócio-legislativas capazes de concretizar o ideal democrático do Estado Brasileiro”

    A lei sancionada pelo presidente terá o nome de Lei Maria da Penha,, uma justa homenagem à militante dos direitos das mulheres que, por duas vezes, foi vítima de tentativa de assassinato pelo marido. Em decorrência dessa violência, ela ficou paraplégica, mas o agressor só foi punido 19 anos e 6 meses depois, ainda assim com uma pena de apenas 2 anos de reclusão. Essa impunidade fez com que, em 2001, o Brasil fosse responsabilizado por negligência e omissão em relação à violência doméstica pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

     

    Confirme o que muda com a Lei Maria da Penha

    ANTES: Não existe lei específica sobre a violência doméstica contra a mulher.

    L.M.P.: Tipifica e define a violência doméstica e familiar contra a mulher.

    ANTES: Não estabelece as formas desta violência.

    L.M.P.: Estabelece as formas da violência doméstica contra como sendo física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

    ANTES: Não trata das relações de pessoas do mesmo sexo.

    L.M.P.: Determina que a violência doméstica contra a mulher independe de orientação sexual.

    ANTES: Aplica a lei dos juizados especiais criminais (Lei 9.099/95) para os casos de violência doméstica. Estes juizados julgam os crimes com pena até dois anos (menor potencial ofensivo).

    L.M.P.: Retira dos juizados especiais criminais (Lei 9.099/95) a competência para julgar os crimes de violência doméstica contra mulher.

    ANTES: Permite a aplicação de penas secundárias como as cestas básicas e multa.

    L.M.P.: Proíbe a aplicação destas penas.

    ANTES: Os juizados especiais criminais tratam somente do crime, mas para a mulher vítima de violência doméstica resolver as questões de família (separação, pensão. Guarda e filhos) tem de ingressar com outro processo na vara de família.

    L.M.P.: Serão criados juizados especiais de violência doméstica e familiar contra a mulher com competência cível e criminal para abranger todas as questões.

    ANTES: A autoridade policial efetua um resumo dos fatos através do TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência).

    L.M.P.: Prevê um capítulo específico para o atendimento pela autoridade policial para os casos de violência doméstica contra a mulher.

    ANTES: A mulher pode desistir da denúncia na delegacia.

    L.M.P.: A mulher somente poderá renunciar perante o juiz.

    ANTES: É a mulher que muitas vezes entrega a intimação para o agressor comparecer a audiência.

    L.M.P.: É vedada a entrega da intimação pela mulher ao agressor.

    ANTES: A lei não utiliza a prisão em flagrante do agressor.

    L.M.P.: Possibilita a prisão em flagrante.

    ANTES: Não prevê a prisão preventiva para os crimes de violência doméstica.

    L.M.P.: Altera o código de processo penal para possibilitar ao juiz a decretação da prisão preventiva quando houver riscos à integridade física ou psicológica da mulher.

    ANTES: A mulher vítima de violência doméstica geralmente não é informada quanto ao andamento dos atos processuais.

    L.M.P.: A mulher vítima de violência doméstica será notificada dos atos processuais, especialmente quanto ao ingresso e saída da prisão do agressor.

    ANTES: A mulher vítima de violência doméstica, em geral, vai desacompanhada de advogado ou defensor público nas audiências.

    L.M.P.: A mulher deverá estar acompanhada de advogado ou defensor em todos os autos processuais.

    ANTES: A violência doméstica contra a mulher não é considerada agravante de pena.

    L.M.P.: Altera o artigo 61 do código penal para considerar este tipo de violência como agravante de pena.

    ANTES: A pena para o crime de violência doméstica é de 6 meses a 1 ano.

    L.M.P.: A pena do crime de violência doméstica passará a ser de 3 meses a 3 anos.

    ANTES: A violência doméstica contra a mulher portadora de deficiência não aumenta a pena.

    L.M.P.: Se a violência doméstica for cometida contra mulher portadora de deficiência, a pena será aumenta em 1/3.

    ANTES: Não prevê o comparecimento do agressor a programas de recuperação e reeducação.

    L.M.P.: Altera a lei de execuções penais para permitir que o juiz determine o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação.

     

    Diga NÃO à Violência contra as mulheres. Denuncie!

    Ligue 180 - Central de Atendimento à Mulher

    November 24

    25 de novembro: Dia Internacional de não-violência contra as mulheres

    Por Janethe Fontes

    Há aproximadamente três anos atrás, uma senhorinha simpática sentou ao meu lado no ônibus e começou a falar (É, foi assim mesmo, a mulher simplesmente se sentou ao meu lado e desatou a falar). Resignada, já que não podia pular pela janela do ônibus, deixei que a mulher falasse à vontade. Foi desta forma que eu soube que aquela simpática senhora, casada há quase cinqüenta anos, havia ficado viúva recentemente. “Sinto muito”, eu disse a ela, e ela retrucou baixinho, para meu completo espanto: “Não, não sinta. Foi um alívio. Ele era um homem muito violento e me agredia quase todos os dias”. Nesse momento, em meio a um rompante de indignação, perguntei por que ela então nunca havia se separado. Como resposta, obtive apenas um olhar rápido e triste... que eu nunca mais esquecerei...

    Recordar esta triste história me fez lembrar que o ato violento freqüentemente causa espanto, sobretudo quando ocorre onde menos deveria acontecer: no lar. Mas um estudo internacional feito pela OMS revelou que a violência contra a mulher cometida em seu próprio lar, por seu próprio parceiro, é um problema de abrangência mundial, comum nos paises de primeiro mundo, como também em paises em desenvolvimento, ocorrendo tanto em áreas rurais como em áreas urbanas. No entanto, a violência contra a mulher não é condição especial das relações afetivas, ela também ocorre, e muito, nas relações trabalhistas. Neste caso, o ato violento ocorre quando uma mulher se vê obrigada a fazer algo que não ela faria por sua livre escolha, ou quando ela se vê coagida através do assédio moral ou sexual. Afinal a violência não é apenas agressão física, ela também pode ser psicológica ou moral.

    A violência contra a mulher é um fenômeno antiqüíssimo e considerado o crime encoberto mais praticado no mundo. E “tem sido legalizada, através dos tempos, por leis religiosas e seculares, legitimada por diferentes culturas e por mitos da tradição oral ou escrita”.

    Em seus cursos sobre a relação violência e religião, o grupo Católicas pelo Direito de Decidir enfatiza que:

    • A legitimidade que a religião tem dado à subordinação da mulher não é essencialmente divina.

    • Temos o direito de questionar e não aceitar aqueles aprendizados teológicos e religiosos que fomentam o poderio do homem e a subordinação da mulher, sustentando assim a violência.

    • Deve-se “suspeitar” das imagens sagradas que possam estar legitimando uma relação violenta e que possa estar motivando uma eterna discriminação e desigualdade entre homens e mulheres.

    Números da violência (Fonte: UBM - União brasileira de Mulheres):

    • No mundo, 5 dias de falta ao trabalho é decorrente da violência sofrida pelas mulheres em suas casas resultando, a cada 5 anos na perda de 1 ano de vida saudável; no Brasil esta forma de violência compromete 10,5% do Produto Interno Bruto!

    • Dos 70% dos casos de violência contra a mulher, 40% são com lesões graves e os agressores são os maridos, ex-maridos, ex-companheiros (Banco Mundial).

    • Nos Estados Unidos, a taxa de homicídios entre mulheres negras é de 12,3 para cada 100 mil assassinatos e para as brancas é de 2,9. As mulheres negras entre 16 e 24 anos tem três vezes mais a probabilidade de serem estupradas que as mulheres brancas.

    • A incidência de AIDS aumentou entre as mulheres no Brasil. No inicio dos anos 80 a relação era de 25 homens para uma mulher infectada e hoje é de 1 mulher para cada 2 homens. Entre as mulheres, 55% tem entre 20 a 29 anos, predominando as afrodescendentes e as de camadas mais pobres.

    • No Brasil, são registrados 15.000 estupros por ano que podem ocasionar gravidez indesejada e DST/AIDS.

    • As vítimas de violência que recorreram a serviços de apoio (dez/00 a set/04), são predominantemente mulheres, jovens, estudantes ou desempregadas: 58,09% são do sexo feminino; 62,18% são solteiras; 36,45% recebem entre 1 a 3 salários-mínimos; 58,66% possuem casa própria; 25,33% são estudantes e 23,98% sem ocupação, desempregadas; 23,01% possuem entre 0 a 10 anos. (Núcleo de Atendimento às Vítimas de Crimes Violentos- NAVCV).

    O custo econômico da violência doméstica (segundo dados do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento):

    • Um em cada 5 dias de falta ao trabalho no mundo é causado pela violência sofrida pelas mulheres dentro de suas casas.

    • A cada 5 anos, a mulher perde 1 ano de vida saudável se ela sofre violência doméstica.

    • O estupro e a violência doméstica são causas importantes de incapacidade e morte de mulheres em idade produtiva.

    • Na América Latina e Caribe, a violência doméstica atinge entre 25% a 50% das mulheres.

    • Uma mulher que sofre violência doméstica geralmente ganha menos do que aquela que não vive em situação de violência.

    • No Canadá, um estudo estimou que os custos da violência contra as mulheres superam 1 bilhão de dólares canadenses por ano em serviços, incluindo polícia, sistema de justiça criminal, aconselhamento e capacitação.

     Nos Estados Unidos, um levantamento estimou o custo com a violência contra as mulheres entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões ao ano.

    • Segundo o Banco Mundial, nos países em desenvolvimento, estima-se que entre 5% a 16% de anos de vida saudável são perdidos pelas mulheres em idade reprodutiva como resultado da violência doméstica.

    • Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento estimou que o custo total da violência doméstica oscila entre 1,6% e 2% do PIB de um país.

    Desafio:

    Exigir que a sociedade brasileira tome consciência e assuma a responsabilidade de mostrar e combater a violência em suas diferentes formas.

    Denunciar a violência e exigir do Estado a ampliação dos serviços de atendimento às vítimas e ações para evitá-la, educando a sociedade com novos valores.

     

    UBM - União brasileira de Mulhere

     

     Fonte(s): Instituto Patrícia Galvão e UBM

    November 10

    Ser mãe é padecer no paraíso?

    Por Janethe Fontes

    Segundo reportagem da revista Época (edição n° 442 de 06/11/06), e declarações de algumas mulheres “sinceras”, sim, ser mãe pode até significar isso: padecer no paraíso, como diz o velho chavão, mas, de vez em quando, é também um inferno.

    “Uma grande amiga tem um menino de dois anos, lindo, mas que ainda acorda à noite. Um dia, ela me perguntou: – Quando melhora? Minha resposta foi curta, sincera e direta: – Nunca.” “Eu não sabia que ser mãe era comer restos de comida e passar o dia catando brinquedos.”

    Algumas pessoas podem até achar exageradas as declarações acima citadas, mas, apesar da maternidade ser uma experiência maravilhosa e única (pelo menos para mim foi, ou melhor, tem sido), o que ninguém pode discordar é que não é nada fácil para a mulher moderna, fruto da revolução feminina dos anos 60, ter de abrir mão de parte de suas conquistas para cuidar do(s) filho(s), ou conciliar trabalho e maternidade. Embora, a coisa pudesse ser um pouco menos complicada se a própria mulher não se cobrasse tanto. Elas querem ter um trabalho maravilhoso, ser boas profissionais, bonitas e boas amantes. Mas também querem ter filhos, organizar a família e manter a casa em ordem, diz a terapeuta de família Simone Savaya. Mas o pior é que além de tudo isso, ainda existe aquela permanente briga para saber quem é “melhor mãe”, o hábito de algumas mulheres em criticar as escolhas das outras na criação dos filhos, os eternos palpites das colegas de trabalhos e/ou vizinhas, que, além de incomodarem muito, como revela uma pesquisa realizada recentemente (pelo fundo inglês Tommy’s), ainda causa uma pressão muito maior à mulher para ser uma “mãe perfeita”. Ademais, existe também a batalha entre as mulheres que optaram por continuar trabalhando fora, independentemente da maternidade, e as que optaram por ficar em casa, pois cada uma acha que fizeram/fazem o melhor. Mas, como julgar? Cada um tem seu esquema, sua forma de organizar a vida familiar, diz a psicóloga Simone Savaya. Nenhum exemplo é melhor que o outro.

    A mulher moderna também encontra dificuldade quando decide não ter filhos, pois são vistas como uma distorção do padrão “natural”. Uma mulher que não quer crianças é alvo de muito preconceito, assim como é alvo de pena a mulher que não pode gerar filhos. A família e os amigos cobram a maternidade, há pressão de todos os lados. Fora isso, existe também a idéia que liga feminilidade à maternidade. Mas “ser mulher e ser mãe não é a mesma coisa”, diz a socióloga americana Susan Maushart, autora de A Máscara da Maternidade – Como Tornar-se Mãe Muda Nossas vidas e Por que nunca falamos sobre isso. Susan diz ter escrito o livro para “preservar a sanidade” durante os primeiros anos de vida da filha mais velha. Lamenta que, ainda, haja pouca informação sobre os impactos reais da maternidade na vida da mulher.

    Também lamento que ainda haja tanto tabu e preconceitos em torno desse assunto, assim como lamento que ainda exista a cobrança pela “perfeição maternal” (cobrança efetuada pelas próprias mulheres, insisto em falar). No entanto, tenho certeza de duas coisas: a de não é preciso ser uma “mãe perfeita” para ser uma “boa mãe” e a de que a maternidade é de fato uma das experiências mais intensas da vida de uma mulher, desde que a decisão seja dela e não fruto de cobranças familiares ou de quem quer que seja.

    Nota final: Sentir menos culpa na hora de deixar os filhos com a babá e sair para trabalhar ou até mesmo para se divertir com o marido (namorado ou amante), é a melhor receita para a mulher que não abre mão da experiência maternal mas que também não deseja se colocar em segundo plano em prol dos filhos e do marido. Afinal somente assim poderemos realmente nos sentirmos mais felizes e, o mais importante, criar filhos também mais felizes.

    Sobre mim

     
     
    JANETHE FONTES
    Aniversário: 03/12
    Localidade: São Paulo


    Coisas que eu curto:
    Gosto de coisas simples, mas tão gostosas...
    Andar de mãos dadas, abraço apertado, chocolate quente,
    chocolate frio (humm) e dançar, embora esteja meio entravada
    (risos).
    Gosto também de ler poesias, da natureza, da lua, do mar,
    do sol, das estrelas e mais meio mundo de coisas.

    Além de tudo isso, sou alguém que adora escrever, romancear, contar histórias.
    É, sou também uma escritora, caro amigo. Espero não tê-lo decepcionado por isso.

    Coisas que eu odeio: Inveja, arrogância e gente chata.


    Mas, afinal, quem é Janethe Fontes?
    Eu explico:
    "Sou simplesmente alguém que traz a alma povoada de esperanças..."
    E tal qual uma criança,
    às vezes, ponho-me a cismar.
    E, numa névoa dourada,
    vejo uma fada encantada
    e um castelo, além do mar.
    A vida, a Glória, o Sonhar...

    Trago a alma povoada de esperanças...

    Toda vestida de estrelas,
    meus cabelos prateados
    voam nas asas do vento.
    Então acordo assustada
    e vejo desapontada,
    num instante, meu sonho desmoronar...

    Trago a alma povoada de esperanças...

    Volto a galope, singrando
    um rastro de luz deixado
    nos caminhos desta vida...
    Num corcel negro montada
    meus sonhos e minha fada
    são fantasmas do passado...

    ...Trago a alma povoada de esperanças...

    Fico a cismar nesta vida
    pela existência perdida
    que os anos não trazem mais.
    E os sonhos descoloridos,
    fada e castelo sumindo
    num instante de reflexão...

    E, mesmo assim, tal qual uma criança
    Sinto a alma povoada de esperanças...


    [Poema de Neuza Rodrigues Leonel]

    O ato de escrever

    Por Janethe Fontes

     

    As dificuldades para publicar um livro no Brasil são tão grandes que, às vezes, penso que é quase um desatino desejar ser escritor neste país, desejar “viver” da escrita então... seria caso para internação.

    O ato de escrever é penoso, demorado e exige imensa dedicação por parte do escritor, além de uma dose extra de paciência de seus familiares, mas tudo isso valeria muito a pena se o escritor tivesse um pouco mais de atenção por parte das editoras. Veja bem, sei que o trabalho do editor também não é fácil, afinal somos um país de não-leitores, além disso, uma editora é uma empresa, e como tal visa o lucro. Mas nada disso justifica a enorme má-vontade que o escritor encontra para ter suas obras “devidamente” avaliadas.

    Geralmente, a avaliação de originais é realizada por pessoas pouco graduadas que, depois da leitura de apenas algumas páginas alternadas, simplesmente encaminham o texto para a pilha de devolução, ou melhor, para a pilha de obras que “deveriam ser devolvidas”, mas que não são por causa do custo da devolução. Nestes casos, o escritor não fica sabendo que seu original foi recusado, pois não recebe sequer uma cartinha mixuruca. E, quando recebe, os dizeres são sempre os mesmos, “que o livro não está de acordo com a linha editorial da casa, mesmo quando está, ou que o cronograma de lançamentos para os próximos meses já está definido, mesmo quando também não está”, mas ao menos você recebe a informação. Não fica nessa ânsia por uma resposta, uma simples resposta para abreviar o sofrimento.

    Segundo Luis Eduardo da Matta, em seu artigo: Os desafios de publicar o primeiro livro, “muitos editores optam pelo silêncio por receio de que uma resposta por escrito crie um indesejado vínculo com um autor chato, que em vez de se limitar ao papel de consumidor de livros, fica amolando a editora com seus garranchos impublicáveis”.

    Felizmente, o veredicto das editoras em relação à qualidade das obras ou de seu potencial de venda nem sempre significa grande coisa. Afinal, autores como J. K. Rowling, autora do mega-sucesso Harry Potter, deu com o nariz na porta de 9 editoras, que recusaram os originais de seu primeiro livro por considerarem-no longo demais para crianças, e John Grisham, autor de A Firma e O Dossiê Pelicano, que também teve o seu primeiro romance, Tempo de Matar, recusado por quinze agências literárias e vinte e oito editoras nos Estados Unidos, até conseguir ser publicado com uma tiragem modesta pela pequena Wynwood Press.

    Como se vê então, o problema não é exclusivo do Brasil. Mas o problema aqui é que a maioria das editoras não tem “de fato” uma preocupação em extrair, no meio dos originais enviados, talentos promissores, nem muito menos disposição em investir (nesses talentos). A grande maioria das editoras brasileiras preferem mesmo é arcar com o custo da tradução de obras estrangeiras, que, apesar do investimento e da divulgação, nem sempre compensam tais custos, pois, além de uma tiragem modesta, esses autores não podem ter um contato direto com o público daqui, afinal moram em outros países e a tradução de seus livros aqui é apenas mais uma entre tantas outras espalhadas mundo afora.