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21 september

Quando Nietzsche chorou

 

Apesar das críticas, o livro de Irvin D. Yalom, Quando Nietzsche chorou, está há meses no ranking dos mais vendidos. E eu, como ex-aluna de psicologia, não poderia deixar de ler. Afinal não é todo dia que você encontra numa trama o filósofo Friedrich Nietzsche e o Dr. Josef Breuer (mestre do grande psicanalista Sigmund Freud). É óbvio que esse encontro (entre Nietzsche e Breuer) nunca aconteceu, mas essa mistura entre ficção e realidade (no que tange aos personagens) tornou o livro uma boa fonte de “entretenimento”. Veja bem, o livro não é nenhuma fonte de filosofia e nem tão pouco de psicanálise, mas retrata, de forma interessante, o que poderíamos denominar de “nascimento” da “terapia através da conversa”.

 

Eu selecionei algumas passagens interessantes do livro que me fizeram refletir bastante:

 

Temos que nos voltar para o significado. O sintoma não passa de um mensageiro com a notícia de que a Angst (angústia) está irrompendo das profundezas do ser! Preocupações profundas com a finitude, com a morte de Deus, com o isolamento, com o propósito da vida, com a liberdade – preocupações profundas trancafiadas por toda uma vida – agora rompem suas cadeias e batem às portas e janelas da mente. Elas demandam ser ouvidas. Não apenas ouvidas, mas vividas!

 

– Uma de minhas pacientes é uma parteira – prosseguiu Breuer. – Ela está velha, encarquilhada, sozinha. Sofre de problemas cardíacos. Mesmo assim, é apaixonada pela vida. Certa vez, indaguei dela a fonte de sua paixão. Respondeu então que era o momento entre erguer um recém-nascido silente e lhe dar o tapa da vida. Ela se renovava – assim dizia – pela imersão daquele momento de mistério, aquele momento entre a existência e o olvido.

...

– Sou como aquela parteira! Quero estar próximo do mistério... Não consigo viver em preto e branco. (o grifo é meu).

 

– Chegar aos quarenta abalou a idéia de que tudo me era possível. Subitamente, entendi o fato mais óbvio da vida: que o tempo é irreversível, que minha vida estava se consumindo. É claro que eu já sabida disso antes, mas sabê-lo aos quarenta foi uma espécie diferente de saber. Agora sei que “o rapaz infinitamente promissor” foi meramente uma ordem de marchar, que “promissor” é uma ilusão, que “infinitamente” não tem sentido e que estou em fileira cerrada com todos os outros homens marchando em direção à morte. (novamente os grifos são meus).

 

 

 

“Tudo que não me mata, me fortalece”, Friedrich Nietzsche. 

17 augustus

Sexo frágil?

 

A rotina de uma mulher pode ser realmente estressante, conforme demonstra uma pesquisa realizada pela empresa Tríade do Tempo, especializada em software: Acorda, cuida dos lanches das crianças, do café da manhã da casa, leva os filhos para a escola, deixa algo pronto para o almoço, sai às pressas para o trabalho, pega trânsito, trabalha o dia todo; na volta para casa, pega as crianças na escola, faz o jantar, cuida da casa, verifica o dever de casa dos filhos e quando se certifica de que está tudo em ordem, finalmente pode ir tomar um banho e ir para a cama.

 

Essa pesquisa, com mulheres em atividade profissional, na faixa etária de 35 anos, revela ainda que elas dedicam:

·     48% do tempo às urgências; (atividades que chegam em cima da hora, que não podem ser previstas, mas que geralmente causam estresse).

·     28% do tempo às coisas importantes; (atividades que são realizadas e dão resultados a curto, médio ou longo prazo).       

·     24% do tempo às circunstâncias; (são os gastos de tempo de forma inútil, tarefas feitas por comodidade, ou "socialmente" apropriadas).

 

Além de todas as cobranças diárias, a mulher ainda tem de encontrar um tempinho para cuidar da estética e fazer uma academia. É mole?

 

 

Fonte: Jornal da Mulher 

10 augustus

Agitação

 

Freqüentemente acordo numa agitação imensa. E essa sensação independe "das coisas" estarem de fato muito corridas. Tenho sempre a impressão que "não vai dar tempo" de fazer tudo o que quero, que o tempo está passando rápido demais, etc e tal.

 

Mas por que estou tornando a falar disso?, alguns devem estar se perguntando. Eu explico: É que hoje, enquanto me dirigia ao trabalho, pensando em tudo o que tinha para fazer, tocou no rádio do meu carro uma música cuja letra me "toca" bastante, pois traduz exatamente essa minha ânsia por viver "o agora", de fazer tudo agora (agora ou nunca).

 

Veja a letra traduzida:

 

"It's my life – É a minha Vida" – Bom Jovi

 

Esta não é uma canção para os de corações partidos,

Nenhuma oração silenciosa para os abandonados pela féEu não vou ser apenas um rosto na multidão,

Você vai ouvir minha voz

Quando eu gritar isso bem alto...

 

É a minha vida,

É agora ou nunca.

Eu não vou viver para sempre,

Eu apenas quero viver enquanto estou vivo.

(É a minha vida)

Meu coração é como uma estrada desimpedida.

Como Frankie disse, eu fiz do meu jeito...

Eu apenas quero viver enquanto estou vivo,

É a minha vida...

 

Esta é para aqueles que sustentaram sua posição,

Para Tommy e Gina que nunca voltaram atrás.

O amanhã está ficando mais difícil, não cometa erros,

O acaso nem mesmo é afortunado,

Você tem de criar suas próprias oportunidades...

 

É a minha vida,

é agora ou nunca.

Eu não vou viver para sempre,

Eu apenas quero viver enquanto estou vivo.

(É a minha vida)

...

 

Melhor ficar em pé [com orgulho] quando estiverem

te chamando.

Não se curve, não ceda, baby, não volte atrás...

 

É a minha vida,

E é agora ou nunca.

Porque eu não vou viver para sempre,

Eu apenas quero viver enquanto estou vivo.

(É a minha vida)...

03 augustus

Pedido de desculpa

Por Janethe Fontes

 

 

Oi, pessoal, desculpem-me pela falta de atualização do blog. Estou numa correria danada e quase não tenho tido tempo de ler e muito menos de escrever.

 

Juro que estou tentando dar de conta do meu trabalho e das leituras, mas tenho mais livros empilhados junto à cabeceira da minha cama do que nas prateleiras da minha estante (claro que estou exagerando. Mas, se eu continuar nesse ritmo, logo, logo isso realmente irá acontecer), fora as revistas encostadas para ler depois, a pilha virtual de blogs que tenho acessado cada vez menos, apesar da qualidade dos textos e da importância literária de alguns deles para mim... Coisas que são de fato muito importantes para mim e que ficam lá, empilhados, aguardando um momento ocioso. Puts!

 

A verdade é que acho que não estou mais dando de conta de tanta coisa! Obrigações respigam de todos os lados e, na vã tentativa de dar de conta, acabo com a impressão que "os dias estão passando cada vez mais depressa".

 

Mas sei que não sou a única a me sentir assim. Na realidade, dizem que esse é o grande "mal" deste século: a impressão de que não há tempo suficiente. E o excesso de informação que nos bombardeia todos os dias é um dos maiores colaboradores para essa sensação.

 

Mas eu sei também que a verdade pura e simples é que EU é que tenho de aprender, urgentemente, a me organizar (e eu que sempre me achei uma pessoa organizada!!). Afinal, esse sentimento de excesso não é nem um pouco positivo, e ainda pode me colocar na contramão do que realmente quero e necessito, do que todo mundo quer e necessita: da família e dos amigos. Aliás, os amigos "reais" passaram a ser cada vez mais "virtuais", pois é mais fácil encontrar e conversar com um amigo através do computador do que encontrar um tempinho de ir à sua casa pessoalmente. Afe! Que loucura!

 

Enfim, prometo que em breve estarei regularizando a situação do blog e voltarei a postar três vezes por semana. Enquanto isso, por favor, não me abandonem.

 

 

Beijos. 

21 april

Ansiedade, crise dos trinta ou crise da modernidade?

 

Procuro algo que explique esse estado de aflição em que vivo há pelo menos três anos, essa ânsia de viver, essa necessidade quase desesperada de fazer as coisas acontecerem, misturada à angustia de que o tempo está passando e não consegui realizar nada, nada, nada!, do que havia idealizado. Por isso fiz algumas pesquisas e recorri até o mesmo ao dicionário Houaiss para me ajudar nesta peleja.

Ansiedade = 1°) grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia; 2°) desejo veemente e impaciente; 3°) falta de tranqüilidade; receio; 4°) estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso.

Crise dos trinta. Não encontrei qualquer definição para crise dos trinta, mas acredito que seja o medo, mesmo que inconsciente, da proximidade da esterilidade, de não poder mais gerar filhos, da menopausa (andropausa para os homens), que para algumas pessoas chega bem mais cedo do que deveria, medo de perder a sensualidade, de deixar de ser atraente. Talvez seja por isso que de um tempo para cá, minha aparência, mais do que nunca, passou a ser algo tão importante, e eu entrei na loucura das dietas, dos exercícios diários e dos cremes e loções, para retardar o envelhecimento, pois o tempo, como costuma dizer uma amiga minha que também passa pela mesma fase, é implacável.

Crise da modernidade. Também não encontrei qualquer definição a respeito, até mesmo porque a crise da modernidade envolve muitas coisas, mas, no meu caso, e no caso de muitas mulheres (a mulher foi a que mais sofreu as mudanças ocasionadas no último século, por isso falarei apenas delas nesse parágrafo), creio que essa crise envolva valores de auto-afirmação em múltiplas coisas, portanto temos de ser bem-sucedidas profissionalmente, independentes, cultas, além de bonitas (mesmo depois de um dia de trabalho árduo), mães delicadas e bem humoradas (mesmo depois de suportar o chefe chato e pegar um ônibus lotado com um homem roçando sua bunda (desculpem a expressão, mas foi inevitável)), e, ainda por cima, precisamos ser amantes ardentes e bem dispostas à noite, afinal o namorado, marido, amante, está à sua espera na cama.

E a que conclusão cheguei depois de tudo isso? Que talvez o que eu sinta seja um misto de tudo o que citei acima. E que vou ter de aprender a lidar com essas alegrias e tristezas, limites e frustrações que o tempo me trouxe. Afinal tudo isso faz parte da vida. Além disso, creio que não possa fugir a essa turbulência interna que me faz repensar o tempo todo a vida, mas posso tentar aceitar minhas limitações, sem deixar, é claro, de lutar pelas coisas que ainda acredito. Além do mais, dizem também que tem crise dos quarenta, dos cinqüenta (ai, meu Deus!), então o jeito é não entrar numa neurose agora, ainda tenho muita crise a enfrentar!

 

Nota: Embora tenha comentado acima que a mulher foi a que mais sofreu as mudanças ocasionadas no último século, quero deixar claro que não estou, de maneira alguma, defendendo retrocesso a posições anteriores. Afinal, admito que o que tínhamos antes não era nem um pouquinho melhor do que o que temos hoje. Portanto, nós, mulheres, temos mais é de usufruir de tudo o que foi conquistado. Precisamos apenas conseguir um equilíbrio.

 

Por Janethe Fontes

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